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Roda de Chimarrão confirma sucesso em sua 6ª edição

Evento proporcionou reflexões sobre o sistema socioeducativo do Brasil

O auditório Alice Denison sediou, na noite de quinta-feira (25), a 6ª Roda de Chimarrão. O evento é uma promoção do Curso de Direito da Faculdade Metodista de Santa Maria (FAMES) em parceria com a Cátedra de Direitos Humanos. A programação iniciou às 19h, com tema geral “Sistema Socioeducativo – reflexões práticas”.

6 roda de chimarrao

Chimarrão foi o companheiro durante as explanações. (Foto: F12 Produtora)

Em um primeiro momento, houve o lançamento do projeto “Sensibilização de Capacidades Humanas”, pelo diretor do Instituto Ideias, Patrick Meneghetti e pela Secretária de Assistência Social, Cidadania e Direitos Humanos de Santa Maria, Margarida da Silva Mayer. A iniciativa conta com o apoio da FAMES e da Cátedra. Em sua fala, Margarida agradeceu a parceria da Instituição. “O projeto é para pessoas fortes”, afirma. Meneghetti também discursou e trouxe dados sobre os primeiros passos do Sensibilização. Segundo ele, as primeiras conversas aconteceram em reuniões da Cátedra, com o intuito de promover uma ação social e de desenvolvimento Institucional. “O objetivo é qualificar os adolescentes que estão cumprindo medidas socioeducativas, sensibilizando os envolvidos”, explica. Participar do projeto, para ele, ainda é uma forma de retribuir os aprendizados obtidos na FAMES.

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Em seu discurso, Patrick recordou das primeiras conversas sobre o assunto, nas reuniões da Cátedra de Direitos Humanos da FAMES. 

A conversa sobre Direitos Humanos começou com o diretor do Centro de Atendimento Socioeducativo (Case), Arthur Farion. Conforme ele, o local funciona como um sistema integrado em Santa Maria, que recebe menores infratores de outros 46 municípios da Região Central do Estado. O diretor relatou que o Case é responsável pela internação de adolescentes em cumprimento de medida socioeducativa. Todavia, a cada seis meses, o processo é revisto. Os internos frequentam aulas em uma escola estadual que funciona na fundação. “É feita uma avaliação dos bancos escolares, que é encaminhada ao Ministério Público, pois conforme o desempenho nas atividades letivas, a medida socioeducativa é atualizada”, acrescenta. No local, atua uma equipe multidisciplinar composta por cercas de 80 funcionários, das áreas da segurança, saúde, educação e assistência social. “Nosso método é o círculo de construção de paz”, conclui.

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Farion chamou a atenção do público para a situação de superlotação do Case. 

Em seguida, fez uso da palavra o 3º promotor de justiça da Promotoria de Justiça Especializada de Santa Maria, Antônio Augusto Ramos de Moraes. O profissional frisou a situação crítica em que se encontra o sistema socioeducativo do Estado e do país. Segundo ele, houve um crescimento no número de infratores e na quantidade de atos graves ou gravíssimos. “Nos últimos tempos, todas as casas de medidas socioeducativas estão com superlotação”, completa. Entre as causas deste cenário, o promotor citou a desestruturação e carência de recursos das famílias e a falta de ocupação dos menores. “Não podemos perder as esperanças de recuperação dos infratores, mas talvez seja preciso repensar a forma das ações e aplicação das medidas”, enfatiza. Para ele, investir no meio aberto é a melhor solução. Através de convênios com instituições como a FAMES, é possível trabalhar com a estruturação familiar e com outras alternativas de socialização.

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Promotor defende que a realidade crítica do sistema socioeducativo não pode abalar as frentes de socialização dos menores infratores. 

A professora do Curso de Direito da FAMES e coordenadora de Cátedra de Direitos Humanos, Daniela Richter, encerrou a conversa. Ela sugeriu uma mudança de olhar e de postura, por parte de todos. “O convênio firmado entre a FAMES e os Centros Socioeducativos de Santa Maria busca ser o alicerce no meio familiar, atuando na reestruturação”, aponta.

 Assessoria de Imprensa